Paraiso inato

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Desnorteado como sempre

Anjos caídos cantam me inconsciências dementes

Ruas nuas sem luz negam me o vicio da autodestruição

Tambores tocam a musica do expatriado em terra de ninguém

Leva-me agora antes que caia sem te amar de novo no vazio de mim


Vou de novo em direcção a enchente mortífera do mundo

Larga me a salvação antes que me afunde em escuridão

A mesma que me consumiu sempre em todos os meus momentos

Mas será que me queres salvar ou ver derramar em sangue para me provares


Será que me salvas?

Será que o queres?

Será que tens a audácia?

Será, poderá, quererás, ver me assim, amar-te


Tens noção do mundo vazio de alma que me chama?

Das noites artificiais da madrugada fria?

Dos dias vazios de amor e romance, apenas diários carnais?

Se poderes salvas-me? Se puderes amas-me como nunca ninguém me amou?


Poderias tu querer voar comigo para fora disto tudo?

Ou será que pensarias no erro de me ensinar a voar

Aterrarias em cima de uma colina e me deixavas só

Para poder morrer sem saborear a tua doçura retraída?


Salva-me sou teu

Salvaste já parte de mim

Tiveste a audácia de me amar

Se quiseres serás a minha luz e eu a tua, sempre


Sou uma alma sem alma própria nem molde de barro

Sem ti sinto-me decadente dentro de mim, de luto apenas cercado por ti

Abraçado pelo vazio deixado por ti na minha pele, na minha visão

Sei que voltas mas é difícil a distância da tua sombra em mim

Do branco, do teu verde, do teu único paraíso inato



Foto: http://www.olhares.com/Alba

1 comentários:

Esmeralda disse...

Nunca!
Nunca te ensinaria a voar...
...amando-te e sendo amanda como amais acontecera, voaria contigo até ao infinito.
Encurtaria distancias, só para ter o prazer de te ver sorrir com esses teus olhos negros pequeninos no momento em que percebesses que não mais terias diárias carnais mas sim uma vida recheada de amor e romance.
Fui toda tua, sou toda tua...
Tive a audacia de te amar, e o amaor que um dia ousei sentir por ti, ainda não secou.
Hoje, agora, queres que te salve?