Um banho ao nascer do sol

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Há ainda todo este livro que un dia desfolhei
Com todos os seus verbos e plurais
Agora ficam os substantivos e singulares
Existe uma casa de onde me aninhava em ti
Os azuleijos cantavam as nossas vozes sobrepostas
Agora fica apenas um silençio que ecoa
Um dia talvez consiga lavar me
De todos os erros que cometi
E me vejas novamente como sou
E te faça esvoaçar um sorriso
Tao transparente como o ceu da manha nos teu braços
Talvez um dia me contes o teu dia
E me faças esvoaçar de cor e alegria
Talvez um dia possa esvaziar este peito
E mostrar-te a ternura que te quero dar
Talvez um dia a cor deste amor
Se desfaça em luz de fogo de artificio
E tu lá estejas para o ver
Talvez um dia queiras rasgar o papel em que me embrulhaste
E receber algo que já tinhas esquecido
Amarrotar o papel reluzente de imbirraçoes
E sorrir e olhar rasgado feliz
O verdadeiro eu
Esse que tantas vezes te dei
Cheio sentimento verdadeiro e cristalino
Agora escuto o silencio
Espero esse dia ...nao de talvez mas de sinceridade



Foto :http://m-fm.deviantart.com

Sonhei te

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Gostava de poder te acordar novamente
Gentilmente passear os meus dedos no teu cabelo
Reviver o teu rosto no beijar o meu
Sentir o calor do teu riso
Sorrir novamente a brisa da tua voz
Ser banhado pelo teu toque
E simplesmente sentir viver o que a vida é
Gostava de partilhar tudo isto
Quero poder romper e incindiar tudo que és
De voltar ao teu mundo
E deixar que tornes o meu do avesso
Voltar a dizer te que danço na tua voz
Que a distançia pouco interessa
Porque o meu beijo sera sempre teu
Desejo o dia que me deixes abrir novamente a porta que negas
Subir a tua janela que gostas de fechar
Escalar o muro que teimas em erguer
Apenas para te dizer que te amo
Deixar rebentar estas bombas de desejo
Dos teus beijos e toque
Sou talvez para ti um esquecimentos
Caido que apenas anseia o teu abraço
Mas Nunca mas Nunca esquecerei isso
São semanas,dias e horas
Que a unica coisa que parece querer gritar de mim é:
Amo-te
Gritar e gritar
Ate que as estrelas me levem a ti
Nem que só por um estante...




Hoje

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Agora que caem as folhas
E o vento rasga por entre as frestas da saudade
Hoje que minha pele gela
Pela friesa da tua ausencia
Nestes dias que te procuro ver na multidao
Apenas para encontrar um vazio nas suas sombras
Neste presente que tento suster este grito
Tao grande que anula ate a tua ausencia
             -Amo-te
Um grito que mesmo hoje
Nao preciso de mascarar sorrisos ao te pensar
Pois ele rompe a minha face
Nada nunca será assim tao verdadeiro
Nada será assim tao claro que ate fere os olhos
Hoje que passei a mesma rua onde te sorri pela primeira vez
Continua tao brilhante como antes
Apenas la faltas tu
O vazio na cama continua a ser o mesmo
E a saudade da tua voz no ouvido
Continua apertar me o peito
Como se alguem tivesse tirado todo ar
E lá apenas permenaçam memorias tuas
Apertar cada vez
Apenas para subirem e tentarem jorrar pelos olhos
Que nao o conseguem fazer
Pois por mais falta que me faças
O sorriso da tua memoria supera tudo isso
Perdi algo que nunca mais conseguirei substituir
Mas tambem sei que vivi algo que nunca tinha sonhado ter
Pena que seja apenas uma memoria estendida ao sol
Como um lençol ...
Hoje posso ter de caminhar sem te ter como destino
Sabendo que amar-te será sempre assim
Mas agora sei que esse será sempre o mesmo caminho.


O teu olhar.

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É tao puro como o nascer do sol
Amo-te de igual como uma camisa gasta
Sei te olhar e sorrir
Mas desapareceu agora saber te falar
Se falo minto
Se nao falo é porque te esqueço ?
Mas por vezes é melhor o silencio
Pois quem muito sente
Diz com olhar o que na alma lhe vai
Mas nem esse olhas
Pois bastava um dia o olhares
Para eu ficar sem fala
E inteiramente te contasse tudo num beijo
Que já nao ouço
Já não sinto
Se te pudesse contar tudo isto
De que serviria entao o silencio
E noentanto te estou a falar...
A possiblidade de errar sempre foi nula
Porque te moves de fora para nada
E o medo conduziu me para fora de mim
Para nos espaço vazio das linhas
Eu me perdesse e te afastasse de mim
Fica apenas agora nesse espaço e silencio...
O teu olhar.
Tu




Onde estava eu?

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Talvez porque sentia uma ansia tua
De te respirar cada vez mais
Levar os meus beijos a tua boca
Passear a tua mao na minha
Sentir o teu coraçao bater em mim
O teu sorriso adormecer no meu peito
De nao querer perder o teu olhar 
Na margem da tua ida
Talvez por isso talvez não
Agora olho para estes ultimos suspiros nossos
Percebo o quanto me estranho
Como te deixei de ouvir para te tirar mais
Nem reconheçi bem este ser estranho 
Demorou ve-lo no espelho
Por vezes o silencio ilumina a alma
Finalmente consigo ver tudo que nem era eu
Esta vontade doida de te abraçar
Loucamente me perder nos teus braços
Não se perdeu
Mas agora voltei a mim
Livre de opiniao e deste ser estranho
Apenas receber o que me soltares
E assim ser ainda mais feliz
Sem nunca pertubar o teu voo 
....
A tua memoria nao me aqueçe a noite
Pois já ando assim desde que te conheçi 
O calor da minha alma é o mesmo que o do teu beijo
A isso se chama felicidade.








Uma porta

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Alem dos meus sentimentos
Vive em mim os sonhos de um mundo
Pela janela vejo vaguear na rua
Pessoas sem destino, sem nada me serem
Na rua que caminho existem cruzamentos constanstantes
Não me trazem a lucidez da verdade
Mas a rua tal como eu
É imune aos meus pensamentos
Nao escuta o que murmuro muito menos o que sinto
Tal como eu nao descubro os segredos debaixo da calçada
Nem tao pouco ouço os outros que me cruzam na rua
Ainda assim um sorriso me escapa
Por vezes por ti roubado
Por vezes apenas por te pensar
Outras somente porque te sinto
Tenho talvez tenha apenas o peito apertado
Pelas minhas filosofias secretas
Talvez goste desta vista do teu alpendre
Do sentar me nos pensamentos da tua escada
Esperando que me abras a porta
Sabendo que ela nao existe
Apenas uma parede caiada.
Ainda assim voo
Ainda assim sorriu
Ainda assim me sinto mais vivo.
Talvez seja ridiculo o impossivel talvez
Mas a realidade é igualmente ridicula.


Sonho te luz...Sol...

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Já vão longe os dias
Nem sei bem precisar o momento
Um simples momento sem significado aparente
"Nunca se empresta um livro, oferece-se um livro"
Faz mais sentido agora
Não se empresta um livro
Não se empresta conhecimento
Não se empresta amizade
Não se empresta amor
Não se empresta o luar debaixo destas palavras
Não se esquece o caminho perfeito de um mundo perfeito
Pois sonhos são vontades embriagados de realidade
O céu pode amanhecer sem cor agora
As nuvens perderem o rasto da esperança
Até o orvalho pode parar o murmurar que te amo
No gelo dos sussuros que já não te ouço
Mas um Amor nunca se empresta e se toma de volta
Uma amizade não se devolve
Apenas se entrega....com toda a alma
E e apenas se tivermos sorte
O calor desse amor não entrega esse amor
Apenas o aumenta e da o dele a troca
Uma amizade não se deita num lago
Pois não volta a surgir do seu fundo
Como o sol nos dá luz
Nos retribuímos com o calor de o receber
E o orbitar sem rumo num caminhar sem a tua luz
Como a escuridão inerte que se me escapa a cada palavra
Que apaga todas as vozes quando te penso
Recebo-te luz,sol....recebo sem devolver....

Sonhei contigo

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Uma manha eufórica em que te sonho
Depois o acordar sem teu sorriso
Que tanto era a minha salvação
O tua voz que me subia pela espinha
Mas tudo foi um sonho e tudo desvanece
O dia que desabrochamos um para o outro
Tudo passa até este sonho de me falares
Acordo e no espelho mostra um rosto que tenho de esconder
porque sofrer nunca foi meu reflexo
Mas sonhos nunca me aqueceram a cama nem a alma
Por isso fico te esquecido para trás
Juntamente com as palavras que perdi
Todas que te lembravam de mim
Fiquei esquecido com as palavras que já não encontro
E assim me levanto
No vapor do teu sorriso .....tão lindo
Nas memorias de te fazer sorrir...tão quente tão inebriante
Mas fazes questão de desaparecer em todos os lados
Tal como o vento que me passa
Que me tanto marcou
Mas que docemente se foi
Para algo melhor penso
Mas tudo bem a dor é apenas chuva
O meu caminho é ver te desaparecer a cada flor
Nos dias despidos da tua luz
Nus da tua alegria e tristeza
Um mundo sem a tua presença
Sem o teu doce ser
Fica apenas um local árido de saudades
Mas as memorias e sentimentos
E até companheirismos são tão longe
Para ti...ou eu é que não te sei ouvir
Ou apenas a inercia de almas contrarias
E acordo de um sonho que me enches de luz
Para encontrar um dia cinzento
Com um sol que se recusa a brilhar
Mas mais um dia
Que se nota o brilhar de te amar no olhar
Inspiras me
Saudades
Mais um dia que não te vou poder dizer que te amo
Que a felicidade que me das
É maior que qualquer dia de chuva
Mais que todas as gotas que caem
Por isso
Todas as ondas que embatem na areia
Todas as gotas de chuva
Cada reflexo que a lua da no lago
Cada dia que o sol se recusa a brilhar-te
Esse é o dia que mais me faltas.
Sonhos nunca me aqueceram a cama
Fico para trás ...despido de ti
Nu da tua palavra
Sinto fome de ti....de mim... de ti em mim.
Obrigado por isso.

Sinto a tua falta

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Hoje num cintilar de um quase luar
Escrevo-te
Pois és o meu horizonte
O encaixe perfeito da constelação distante
Na minha janela está escrito o ressoado do meus pesadelos
Mas apenas vejo  escrito lá
Sombras de um  sonho irreal
cheio de utopias onde me perco
Mas diz desconexasmente
Afecto,tropeços,encontros...
De uns dias reais ...que me aquecem a noite gelada
Hoje um dia de lua pequena
Espero que ela cresça
Sem ficar invisível
Pare tentar escutar o teu silencio que se ouve no coração
O teu silencio a esvoaçar nas ondas do mar
Porque o teu silencio
São os meus maiores gritos
Talvez não percebas
Até detesto quando não falas
Mas o teu silencio nas pausas de palavras
Quebram a ausência que vagueias
E eu aqui a tua espera
A escuta nas frestas da janela ja envelhecida
A tua escuta
Sempre....Dos teus risos flanqueados
Mas ai cai a noite
E nao chegas...as folhas amarelecem
O jardim silencia se
Fecho a janela absorto da tua ausência
E apenas espero a lua encher
De ti e da tua vida

(...) só tu é que decides

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(...)
Incerteza
Uma e outra vez...carregando o fardo de ser imperfeito
Algo que nem a minha pele disfarça
São demasidas feridas debaixo dela
A dor é real
De uma dimensao em que podia ser feliz contigo
(...)
Quanto maior a tempestade
mais desejo que te afogues na minha imensidão
Que vejas que ondas são apenas agua
Que batem sempre na praia que foste...és...serás...
Apenas agora as abraças de forma diferente
(...)
Mas se tu ainda respiras
Ainda vives
Alem da vida alem do futuro
Mas ainda sangras
Não como eu do interior
Mas porque a vida de percorre e jorras vida
(...)
Sou apenas uma silhueta que te gravou no peito
Escondendo , fugindo adormecendo
De tudo que deixei escapar
Posso tentar abraçar todas as memorias
E sei que isso não passa de um fumo vogas
Mas é algo que deixaste para trás
Comigo...
(...)
Então o que fazer?
Imóvel... escotar te
Como a floresta cheia de vida que és
e apenas escutar-te
Ate desligares a luz...
Blow all the candles...
Se quiseres..Porque eu apenas quero arder
Mas se quiseres blow all the candles


Electrão

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Por mais pequenos que sejam certos momentos
Não deixam de ser eternos
Como os fins de tarde dóceis
Ainda hoje me perco no espanto que eram
Onde surgia um saudade instantânea na despedida
Mas onde tudo era mais simples
E clareava a mente quando dizias até já
Agora os dias esfumam se por todo
Sem ter mente nem corpo para voar 
Por entre o gelo do esquecimento
E as brumas do negativismo que provoco
Olho simplesmente assombrado para estas mãos
Ermas de calor das tuas
São apenas uma sombra que se perde na noite sem luz
A luz do teu olhar que há muito me abandonou
Já não me saem dos meus olhos
Não mais brilham por ter vida em mim
Apenas desesperam por fechar de vez 
Confinar se a noite eterna ...sem luz e sem vida
Apenas resignado as tuas escolhas
Pelo menos estes olhos nunca olharam para o passado
Com um sentimento de arrependimento
Repousarão ainda que no teu esquecimento
Mas sabendo que choraram felizes.
Uma face sem expressão agora
Mas que soube te fazer sorrir.


Nota: Electrão : algo que é simultaneamente infimamente pequeno, insignificante e de carga negativo.Parece me bem Electrão..Protão..

Porque?

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O amanhecer
Debruço me no parapeito da janela
Olho já com saudade para a lua
Branca e cheia de esperanças vai se deitar
E eu ....amanheço
Aguardo que todas as memorias me libertem
Todas as palavras que escrevi
Todas a imagens sonhadas se tornem reais
Mas apenas surge no céu o sol
Por mais que lave o rosto
A desilusão não me sai da cara
Demasiado se afastou a minha luz
Que já nem este sol madrugador me consola
Apenas espero que um dia desperte
Fora da minha alma
Longe daqui e bem preso na lua
Talvez la seja realidade os meus sonhos
Até lá apenas mais um amanhecer sem acordar.

Apenas mais um dia

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És o som que sempre preciso ouvir
O respirar que mais necessito sentir
Tudo que o meu barulho precisa de escutar
O mar azul que me pinta
O sol dourado que me cobre
O refugio nas viagens sombrias
A força inexplicavelmente de vida em mim
Da cor mais profunda que existe
O equilíbrio da mente que conta as horas
A palavra doce que me faz sorrir
Que tudo faz valer a pena
A tua doce presença
Que me faz sentir te onde quer que esteja
Onde quer que eu vá
Simplesmente não consigo imaginar
Um sitio onde tu não existas em mim
Mesmo que nunca te veja
Eu sei que sempre aqui estarás presente
A todo lado que eu vá
Em todo o lado que eu olhe
Estas em mim
Camada após camada
Sempre aqui...


Tudo parece mudar

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Para alem de tudo que vejo
Inverso do tudo que sinto
O mundo continua a girar
Eu colho apenas silêncios 
Ouço lamentos escritos por mim na rua
No meu peito vive apenas o relento de um frio 
Do vento me surge apenas a voz que não quero ouvir.
Não sinto capaz de te dar mais sorrisos
Encher te os dias de uma multidão de alegrias
E no teu peito meter um florir solarengo
Nem capaz nem com oportunidade
Eu que tanto gostava do teu sorriso a cair em mim
De te invadir no sono mais profundo
E apenas gritar um sorriso do tamanho do teu olhar
Mas a urgência de me teres expirou
Ainda assim mesmo que não me sintas
Ou vejas a segurar o ultimo sorriso para ti
A cantar o teu nome num desespero de uma ultima alegria
Serás sempre o meu olhar
Sinto falta de te o dizer
Sinto falta de te ele dizer algo
...talvez já não saiba mesmo tirar de ti
o que de melhor tens para dar realmente.


Foto : 
http://m-fm.deviantart.com/

Dialogos com o espelho VII de VII - Final

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Parece que todos podem errar
Menos eu...
Não me consigo desculpar
Nao consigo obter....nada apenas silencio
Pega nesta angustia toda
Faz dela algo belo
Pois a mim só me apetece queimar tudo
Até a mim mesmo
Para não sobrar mais nada
Já nada faz sentido
Nem tudo que tenho memoria te faz sentido já
Como o vento que passa
Na melancolia do por de sol
Na solidão da sombra do quarto
Tudo fosse apenas agora ...fútil
Entardeço na solidão de te guardar num ultimo poema
Que nunca surge
Que nunca é belo
Que nunca será tão belo como o que sinto
Apenas o silencio
E até ai te oiço
Entras neste peito exausto de te suspirar
Mas para que?
Para eu poder errar?
Preso entre o choro da madrugada
E a esperança de orvalho matinal
Apenas para saber o quanto é pesado um dia sem ti
Preferia ficar preso na eternidade das nossas memorias
A estar no silencio dos meus erros
Apenas calar mais um silencio...e acordar
---
Bom dia espelho
Hoje não te falo nem quero ver
Tenho vergonha de mim mesmo
Por não ser mais que uma sombra do que fui
E não saber onde anda a luz do que serei
---
Bom dia reflexo
Não acendas a luz , não te quero ver
Apenas sentir esse vazio já é demais
Para quando o final?
Já nem imagem eu reflicto tua
Para que adiar a angustia?
Porque não vais de uma vez?
Era tão mais fácil
Apaga tudo ao sair
---
Adeus espelho. 


Foto : Bem nem é preciso dizer

Dialogos com o espelho - VII de VIII

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Onde esta a realidade
Que chuva é esta que sinto
O meu corpo sente um despejar de sonhos a cada gota que me atinge
Como se deixasse de ser possível não voar
No espreguiçar das palavras deste amor em contratempo
Como se me fosse possível atravessar a nado
Todos estes desencontros de realidade
E na outra margem soltar
O que ninguém ouve ou escuta
Colado no chão em pontos de vento caídos
Este sentir de mãos levantadas que são apenas tuas
A tua vitoria que cresce em mim
Tanto que me embaciam os olhos e gestos
Esta chuva lava me a tristeza
Uma chuva tão interior
Mas não conseguia sequer fazê-la ouvir
Como se fosse um qualquer vale de esperança
Onde posso receber toda a tua enxurrada de sonhos
E crescer os meus na encosta
Consigo até sentir o vento da felicidade
Sempre que me curvas a voz...
Deixo me perder nas ruas deste vale....
1 ...2 ..3
Acorda
....foi apenas um sonho ...mais um
Bom dia espelho
Hoje senti a chuva leve sobre mim
Fez me sonhar novamente
-Bom dia reflexo
Mas já é boa tarde para ti
O sol desapareceu
E com ele levou a lua também
Ate o céu esta vazio...
Nada brilha já sobre ti
Nem dentro...foi apenas um sonho
E tu ...és como um espantalho de trigo
Precisas da maciez do sol para fazeres sentido
Foi apenas um sonho
Até amanha reflexo
....Até amanha espelho
Apenas um sonho sim tens razão...
A chuva era a minha angustia
A leveza vinha do meu ódio
Nem sonhas quanto me odeio....mas reflectes-o




Foto: (...)

Dialogos com o espelho - VI de VIII

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Bom dia espelho
O sonho já não ilumina esta alma escura
O frio parte o pouco que ainda resta dela
Em estilhaços de pó que me cobrem a vista
Já mal consigo caminhar sem tropeçar
A vida esvaziou-se-me das veias
Percorre agora uma calçada morta
Escorre em letras que já não sei dizer
Cada dia que passa a minha alma
Submerge dentro de um fundo poço de esquecimento
E eu apenas me debruço na beira a olha lo a afundar
A minha volta fecha se um circulo de medo
Tão espesso que nada o atravessa
Nem a luz do amanha
Resta-me este olhar branco
Sem a nostalgia em alvoroço
Apenas me deito nas palavras com musgo
Numa qualquer pedra da vida do meu passado
Todos os momentos agora me são invisíveis
Deixei de sentir o sorriso na espuma do mar
E o sonho no nevoeiro do vento
Só me apetece desmanchar me no suor da memoria
Mas ate ela já me escapa do peito
...
Bom dia reflexo
Abre a janela
Não suporto esse cheiro forte de desilusão
Não me olhes
O teu olhar não tem agora vida
Nem sussurros de ternura
Ele próprio foge do calor do dia
Gosta apenas de olhar a escuridão do vazio
Não me toques
As tuas mãos estão ásperas
Secas de ternura, encrostas de solidão abstinente
Não me fales mais hoje
Os teus lábios libertam apenas palavras semi frias
O seu timbre é recto sem o tremer de esperança
Não te quero reflectir
A tua alma perdeu a cabeceira do sonho
Já não tens o cardume de desejos
Ficou apenas a rede vazia
Ate amanha reflexo
****
Ate amanha espelho então
Vou acalmar estes suspiros de voz cinzentos
Num qualquer telhado de manhas pesadas
Com o silencio que cai vertiginosamente da minha boca

Foto: http://dyingstate.deviantart.com/



Take a drug to set you free...

Dialogos com o espelho - V de VII

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***Deixa que a luz te leve ao inconsciente
***Vais sentir paz e calma
***Quando contar até três vais entrar no teu mundo
***um...dois...três...
Caído na calma do meu desolado leito
Sinto o partir dos ramos verdes esperança
Ausento me da sombra do teu abraço
Sinto um mar revolto de memorias
Despejando labirintos do teu corpo no meu
Sinto paz do recorte dos teus dedos na pele
Renovado o meu corpo agora apenas espera
A calma que esta desolação provoca
Fica apenas as saudades de passear no teu olhar
Com um vértice de vontades para sair
No salivar do sal da noite
Como uma tempestade que te rasga o cabelo
Mas fico apenas desligado
Caído aqui no leito
A desabituar me do impossível
A estranheza de amar uma leveza de sombra passada
Que espera pela hora feliz de te sonhar...
***Abre os olhos e respira fundo
***A cada respirar ficas mais desperto
***E entras na realidade calmo e sereno
***cinco...quatro...três...dois...um.
Livre do medo e da dor
A minha mente gira em torno do acordar da ilusão que encontra o dia
E foco agora na realidade ...reanimado ...não estas aqui
Abraço a luz que não te ilumina
E beijo o tempo que já não é nosso
Sinto o passado apertar o peito
Com uma força e clareza que quer ganhar vida
E passar no meu olhar como um filme
Memorias....
Bom dia espelho
Mais um dia que vou sentir o abandono de quem me rodeia
Mais um dia que que vou ver quem conheço
Sem nunca ter verdadeiramente saber quem são
Outro dia que vou cuspir na jaula que alimenta tanta gente
Como um tigre desolado para ela caminho
-Bom dia reflexo
Mais uma noite a suar saudades
Mais um dia que não vives as cores do arco ires em boomerang
Amordaças na boca a voz que se quer soltar
E retiras o fôlego do bater prateado
No gesto preso do teu coração preso na boca
..enfim reflexo um dia explicas-me
Porque não acreditas no nascer do sol
E vives no sonho






Foto : http://m-fm.deviantart.com

Dialogos com o espelho - IV de VII

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Espectro ...O Eco do Pensamento...Diáfano... ou Poema Translucido....
Tudo que reflectes nesta casa
Vai apenas aumentar até que vai morrer
Com uma inscrição do lado de fora do corpo
Algo que não irás ler
Nem ver...
Como rosas abandonadas numa caixa de cartão
Perdidas ...apagadas da sua cor
Tal como eu me perdia em ti
Quando sem soltar uma única palavra
Me dizias fica, estou mesmo aqui
Agora a minha surdez apenas me trava
Uma lucidez de vazio
Que é tão vasta que me sinto cair...cair
Na eternidade do infinito dos dias
Esses mesmos que agora que não tem cor
As estações são todas iguais
Já não tem o branco puro do inverno
Nem o florir aromático da primavera
O azul de verão quente
O outono de desfolhada aconchegada nunca chegou
Fica apenas tudo cinzento e escuro
As ruas estão despidas de gente
A cidade nua de luz
O mundo ouve os pensamentos
Mas ninguém responde nem percebe
Apenas vagueio sozinho sem o ouvir também
Das mãos saem assim palavras a sangrar o que já não tenho
...Alma
Saem me como mentiras a sangrar desesperadamente pelo chão
Que até ele é mais acolhedor que o meu corpo
E tu espelho? ainda me ouves?
Ouves me ?
Sabes espelho
Enquanto me estendo aqui no chão a olhar as paredes
Tal como uma mosca presa numa teia
Até dela tenho inveja
Pois terá a sua ultima virar de mundo quando a aranha vier
E acabar com a sua vida
Vai nesse instante revirar o mundo envolta em veludo
E saber porque viveu.
E tu espelho sabes porque o vivo? ainda me ouves?
*
**
***
Sim reflexo ainda te ouço
Acordado num sonho
Vives preso na tua prisão sem muros para derrubar
Podes gritar com as nuvens e o céu por não te darem agua
Mas não percebes que estas já afogado nela
Apenas a reflectir a lua
Apenas serves para isso
E a lua nem sabe sequer que a reflectes...
Não tens medo de morrer
Mas desesperaras por voltar a viver

Foto : http://m-fm.deviantart.com


Breve pausa nos dialogos- Dia 12/02/2012

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E nesta entrega
Sinto a casa de aconchego perfeita sim...onde...
Gosto de ficar suspenso no teu olhar
Sentir o teu frágil beijo desmanchar no meu rosto
Do precipício que é cair no teu abraço
Esquecer o tempo que nos separa
Nas rotinas do dia
E apenas descansar as pálpebras no teu ombro
Se pudesse sonhar
Ia fazê-lo perder o tempo
E embalar para sempre no teu sono
Chamar o vento num azul inverno
Proclamar lhe poemas de vermelho paixão de verão
Só por dizer o teu nome no teu ouvido
E No final adormecer no teu ventre deitado
Porque palavras podem despir o oceano do desejo
E florir pétalas de amor
Tao fundas quanto as noites em ti
Vamos os dois...afogar no céu
E cair destemidos no sol da madrugada
Acordando com este amor todo o nosso mundo
E girar e girar
Num abraço que apenas diz triunfante
Amo-te
(ouves?)





Foto : http://m-fm.deviantart.com